Our Recent Posts

Tags

o brechó como dispositivo político e (re)criador de memórias

O brechó é um guarda-roupas materialmente abandonado, porém, cheio de memórias e simbologias. Nele, encontramos peças que já não satisfazem certas pessoas, seja por estarem fora de “moda”, não servirem mais, pelo fato de uma pessoa ter partido (no sentido de morte ou de ruptura de relacionamento), entre diversos outros motivos. Através do brechó nós ressignificamos as peças, e com isso, ressignificamos a nós mesmos: ao meio de centenas de roupas, onde umas escondem as outras, procuramos incansavelmente até encontrar algo que nos agrade. Algo que se encaixe no nosso “eu”, na nossa forma de se vestir, nas nossas subjetividades. Poderia ser qualquer peça, mas porque procuramos tanto?


O ato de procurar ou garimpar peças em brechós é um eterno descobrimento de memórias, e com isso, criamos nossas próprias histórias e memórias. Cada visita ao brechó (mesmo se não comprarmos nada), é uma chuva de informações materializadas em cada peça. Um sapato antigo e empoeirado, um lenço estampado, um vestido de festas, um casaco de lã… Peças comuns, banais, mas que para algumas pessoas já possuíram extrema importância simbólica. O incrível é que anteriormente tal peça já havia sido usada por outras pessoas, mostrando o quanto a peça é durável e eterna, se comparada à existência humana.


Não só é um eterno descobrimento de memórias, mas também um eterno descobrimento de nós mesmos. Afinal, o que tanto procuramos? Somos seres em eterna construção, que buscamos, dia após dia, preencher as lacunas de nossa existência. Símbolos fazem parte de nosso cotidiano, nos comunicamos através deles, e é através deles que afirmamos nossa identidade, nossa forma de pensar, nosso verdadeiro ser. A moda não é mais uma forma de distinção social, como na época aristocrática (que foi da metade do século XI